
Cidade maravilhosa, é mesmo verdade! A minha mãe já me tinha dito que é a cidade mais bonita que alguma vez viu. Agora percebo porquê.
No aeroporto, apanhámos o táxi do "Seu" Eli, que nos foi dando umas luzes sobre a geografia e as principais características do Rio. Enquanto passávamos a planície coberta de favelas da zona norte, ele explicava que aquela era a parte mais feia, que a zona sul era bem mais interessante. No meio do trânsito da Linha Vermelha, a estrada expresso de acesso à cidade, admirei os morros verdes, ao fundo, e identifiquei com satisfação o Pão de Açúcar, junto ao mar, e o Cristo Redentor, ao longe, abençoando a cidade. Ao nosso lado, o rio, enorme e sereno, e a Baía de Guanabara. Seguiu-se o porto, com os seus gigantes adormecidos, à esquerda, e já o centro da cidade, à direita, onde se descobriam ruas limpas por entre prédios elegantes, alguns tipicamente coloniais.
Ficámos maravilhados com o equilíbrio entre a grande urbe, de aspecto sofisticado, com os seus belos arranha-céus e ruas arborizadas, e as enormes montanhas verdes que parecem ter brotado do chão, impondo a presença forte de uma natureza pujante e primitiva mesmo no meio da cidade. Claro que as coisas se passaram ao contrário, os prédios é que surgiram no meio da natureza. Mas a sensação que tive foi mesmo essa.
Seguimos pela beira-mar, admirando os bairros da Glória, do Flamengo e de Botafogo, passámos a Marina e as praias, que os habitantes da cidade têm mesmo ali à porta de casa. O calor que se fazia sentir dava vontade de ficar logo na primeira! Mas ainda não tínhamos chegado ao nosso destino.
Entrámos num túnel e, em poucos segundos, saímos de novo para a luz do sol, já no bairro do Leme, numa das extremidades de Copacabana. Em menos de nada estávamos à porta de casa da tia Dorinha, numa rua perpendicular à Avenida Atlântica, que dá para a praia. O prédio estava protegido atrás das grades, tal como os que eu vira em Belo Horizonte. Mais tarde, a Dora contou-me que pagava cerca de 100 euros por mês para o condomínio, que tinha sete funcionários zelando pela limpeza e segurança. Mas este não era, note-se, um prédio minimamente luxuoso!
Ainda mal tínhamos entrado e largado as malas e já tínhamos uma Brahminha gelada na mão. Pouco depois, estávamos sentados à mesa a deliciarmo-nos com o saboroso almoço que fora preparado especialmente para nós. Um verdadeiro privilégio!
Depois de descansarmos e de irmos a pé a uma agência de viagens do bairro, marcar um passeio turístico para o dia seguinte, atravessámos a avenida para experimentarmos uma água de coco, numa modesta esplanada junto à praia. Ficámos um tanto desiludidos por não saber propriamente a coco, mas caiu-nos bem, ainda assim, aquele refresco natural.
Havia gente para cá e para lá a passear no calçadão, rapazes a jogar voleibol na areia, perto das palmeiras. Pouca gente deitada na praia e ninguém no mar. Fiquei curiosa e fui experimentar a água. Morna! Que maravilha...
Era já noite escura quando atravessei a avenida, descalça e com os pés molhados, para me ir sentar a jantar no Sindicato do Chopp, um restaurante com uma esplanada bem animada e barulhenta onde a cerveja, mais uma vez, era a bebida de eleição. Dividimos um bife gigante entre os três e fomos bebendo também, com a despreocupação de quem mora já ali ao lado. Afinal, o calor apertava ainda como se o sol brilhasse sobre as nossas cabeças.
Depois de longas horas à conversa, com as minhas queridas primas longínquas e a inigualável tia Dorinha (que merece um texto só para ela), adormeci feliz, ao som do ventilador que rodopiava no tecto, na expectativa das descobertas que iria fazer no dia seguinte.